Terça-feira, 29 Abril 2008
Mídia perde força e blogs ganham notoriedade
Ao procurar algum assunto interessante para postar essa semana, encontrei um texto que me chamou atenção por tratar do tema que vamos trabalhar no próximo seminário: a mídias nas eleições de 2006.
Segundo artigo “A hegemonia da crítica conservadora” do jornalista Guilherme Scalzilli, no site do Observatório da Imprensa, “a eleição de Lula contrariou os desejos pessoais (e os prognósticos) da maioria das cúpulas editoriais, que defendiam, aberta ou veladamente, os governos FHC. Mas houve também uma crise financeira sem precedentes no mercado da informação, que forçou os veículos a adotarem um aberto posicionamento político para atrair consumidores fiéis.”
É nesse ponto que nos questionamos: a mídia conseguiu atingir seu público fiel? Foi capaz de vender “seu peixe” como sempre fez com absoluto sucesso? Para Scazilli, “o conservadorismo tornou-se principalmente por sua associação ao repertório de valores dominantes em certo público-alvo. Só que esse método fracassou como indutor eleitoral. Mesmo descontando-se a maioria sem acesso à mídia escrita, uma análise dos resultados do segundo turno das últimas eleições revela que os veículos não conseguiram convencer seus próprios seguidores, das parcelas mais escolarizadas da sociedade.”.
Mas porque dessa vez as mídia não elegeu seu candidato? O que mudou? Ainda no artigo, é discutido a presença dos blogs como formadores de opinião,e que hoje são ferramentas seriamente defamadadas pela velha mídia. “ Os blogueiros apenas realizam as potencialidades da liberdade de expressão que lhes são vedadas na grande imprensa. Compõem uma verdadeira população de militantes e analistas amadores que usam a mídia eletrônica para resgatar a multiplicidade de opiniões e a controvérsia desaparecidas de outros meios. E não restam dúvidas de que são bem-sucedidos nessa empreitada.”
Esse é um assunto complexo... a mídia escrita atinge muito pouco a parcela dominante de eleitores do Presidente Lula, ou seja, a classe C e D. Mas de que forma podemos avaliar os votos das classes A e B, leitores e formadores de opinião em nosso país? Os blogs seriam capazes de interferir nesse contexto? Essas são algumas dúvidas que vamos tentar esclarecer no seminário.... difícil né??
Segue link para ler o artigo completo http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=482FDS001
Bjos pessoal!!
Escrito por Cibelli em Terça-feira, 29 Abril 2008
Sexta-feira, 25 Abril 2008
Boa tarde pessoal!!
Na semana passada apresentamos nosso seminário sobre "As novas mídias na Comunicãção Organizacional"... Bom.. vou aproveitar esse espaço para postar a entrevista (na íntegra) com o jornalista Luciano Martins Costa, especialista em Novas Mídias, que hoje apresenta o programa Observatória da Imprensa na Rádio.
A entrevista foi bem produtiva... e para quem se interessou pelo assunto.. lá vai!!
A utilização de novas mídias pode se tornar uma tendência dentro da comunicação organizacional?COSTA: As novas mídias podem se tornar uma tendência, na medida em que as empresas forem capazes de identificar seus públicos de interesse e definir estratégias adequadas de relacionamento com eles.
Qual as principais vantagens em se trabalhar com novas mídias, em especial os blogs corporativos?COSTA: As principais vantagens são a comunicação direta, imediata e específica com cada um dos públicos de interesse, mas os blogs não são a melhor alternativa. Os blogs podem substituir os "dark sites", aqueles sites que ficam sob acesso restrito para serem usados em gestão de crise ou durante uma oportunidade ou desafio especial da comunicação corporativa. Mas o ideal é investir em plataformas multimodais de comunicação, que são instrumentos de base tecnológica cujo conteúdo é preparado para os diversos públicos e pode conter tanto as ferramentas de comunicação unívoca, como press-releases eletrônicos, comunicados e notas oficiais, como áreas de consulta, fóruns de inovação e hotspots de pesquisa dos públicos de interesse.
Os blogs corporativos ainda não recebem grande número de acessos ou repercutem em grandes mídias, a que isso se deve? O consumidor brasileiro está preparado para receber esse novo forma de informação?COSTA: Os blogs corporativos, de modo geral, pecam por repetir a linguagem, os propósitos e até mesmo a periodicidade dos antigos press-releases, assim como as newsletters eletrônicas apenas emularam o velho house-organ. Antes de iniciar um blog, a empresa precisa definir o grau de interatividade que pretende estimular, a intensidade das trocas e a periodicidade com que vai atender possíveis demandas do público. Trata-se de um instrumento que só faz sentido se canalizar múltiplas necessidades e interesses dos diversos públicos, desde a demanda por informações técnicas até as queixas referentes ao pós-venda.
A interatividade é uma grande característica das novas mídias. Qual a sua opinião sobre a possibilidade do consumidor poder interagir de forma direta, se tornar não apenas receptor mas também emissor de informações?COSTA: Essa é realmente uma tendência clara e global. O consumidor se torna mais exigente conforme aumentam suas alternativas, e o amadurecimento da primeira geração de cidadãos internautas mostra um aumento do protagonismo em todos os sentidos, ainda que de forma desorganizada. Uma estratégia inteligente é oferecer organização para algumas dessas demandas, em vez de ficar na defensiva. Mas só uma empresa com uma estratégia de comunicação bem elaborada, madura e assimilada por toda a organização pode se abrir para uma interatividade plena.
O que caracteriza um blog corporativo de sucesso?COSTA: Um blog corporativo extremamente bem sucedido é aquele que colhe a queixa do cliente antes que ele a leve a um amigo, e que consegue que o cliente se torne multiplicador de notícias favoráveis à reputação da empresa.
Na sua opinião, como os grandes veículos encaram o surgimento dessas novas mídias? Elas podem se tornar uma ameaça para a grande imprensa ? COSTA: Os grandes veículos tentam se apropriar das novas mídias, mas suas estruturas de negócio não são facilmente adaptáveis a esses novos formatos. As novas mídias são muito flexíveis e se adaptam mal às estruturas verticais das grandes empresas de comunicação. Podem se tornar uma ameaça na medida em que grupos sociais se organizem para criar seue próprios meios, como acontece eventualmente no caso das rádios comunitárias, e também na hipótese de empresas e setores empresariais começarem a investir na comunicação direta com seus públicos de interesse.
Escrito por Cibelli em Sexta-feira, 25 Abril 2008